| THOMAS PAINE E O SENSO COMUM: ciclo de seminários sobre pensadores do século XVIII da turma de História Moderna II 2009.1 |
Dirceu de Amorim Marinho, Fernando Waquim de Souza, Josias Silva de Lisboa e Valéria Cristina P. dos Santos (estudantes do curso de Licenciatura em História da Universidade Estácio de Sá, campus Jacarepaguá). Orientação: Suely Romero, Dip RSA.
Como pensador teórico, o mais surpreendente na trajetória de Thomas Paine (1737-1809) é seu humanismo. Com uma grande preocupação com o sofrimento alheio, de uma infância pobre, mostra-se desde cedo um autodidata do pensamento ideológico escrito, em muitas passagens, baseado no princípio humanístico e igualitário. Tendo como conceito fundamental a idéia de que nenhum homem é superior ao outro e todos são iguais entre si, com esta referência, consegue produzir verdadeiras obras literárias, acerca do pensamento e razão, superando vários pensadores da época, onde a parte que chama mais atenção é a reflexão de Thomas Paine, anos depois, sobre o panfleto Senso Comum que acabou virando livro. "Não li livros, nem estudei a opinião dos outros, pensei sozinho" [p.15]
Neste contexto, um aspecto esquecido pela historiografia é que Paine foi um sociólogo e pensador da natureza humana, das suas ações, sendo antiescravista, com ataque direto à escravidão negra na América e nos continentes. Ao escrever Direito dos Homens, introduziu conceitos que séculos depois tomaram forma, onde propõe o direito do povo de receber do governo pensão na velhice, tratamento médico e educação, um modelo bem descrito ao ponto de ser adotado em várias partes do mundo tal como Paine idealizou, hospitais públicos, seguro social e escolas.
Thomas Paine não só direcionou e comandou a revolução americana, na unificação das 13 colônias, como deu nome aos Estados Unidos da América, como ideal de liberdade, sendo um grande cessionário na afirmação da América como superpotência e autodesenvolvimentista. Thomas Jefferson e George Washington basearam-se e fundamentaram todas as leis da Constituição e consolidação dos Estados Unidos da América nos escritos de Paine, inclusive seu amigo Benjamin Franklin. Estes são os três principais notáveis presidentes que usaram diretamente as idéias humanistas e igualitárias de Paine, durante seus governos, na formulação da constituição, unificação e criação da identidade nacional.
Thomas Paine sempre teve uma vida atribulada. É esquecido pela sua grande contribuição à humanidade, seja em Direitos do Homem ou em Senso Comum. Sua obra sobrevive e seus demais feitos, embora não reconhecidos, foram e são inestimáveis no campo do pensamento, ciência e desenvolvimento humano.
Um ponto que podemos salientar no que se refere aos escritos de Thomas Paine é a forma com que escreve. Paine usa de uma argumentação muito envolvente, ele escreve para o homem comum. Utiliza-se de elementos da natureza para embasar e exemplificar seus pensamentos. Podemos ver isso claramente quando, ao explicar os fundamentos do direito natural e o surgimento da primeira sociedade, utiliza a figura de uma árvore para representar, em sua linguagem figurada, a sede do Parlamento: "Uma árvore apropriada lhes proveria a sede do Parlamento, sob cujos ramos toda a colônia poderia reunir-se em assembléia para deliberar sobre questões públicas" [p.12]. Ou quando fala do fato de ser a Inglaterra uma nação geograficamente menor que a América e ainda assim dominá-la: "Mas existe algo muito absurdo em supor que um continente deva ser perpetuamente governado por uma ilha. A natureza não fez exemplo algum de satélite maior que seu planeta" [p.35]. Paine, como podemos observar, utiliza a razão em seus escritos. Dificilmente leremos Paine sem concordar com suas idéias. Seu objetivo não era, a nosso ver, mobilizar as elites, mas sim o povo, em sua grande maioria sem acesso a uma literatura sofisticada. Caso Paine tivesse optado por esse tipo de escrita, com certeza não iria alcançar as grandes massas como conseguiu. Outro exemplo a ser citado, relacionado a essa característica do autor, é quando este busca na Bíblia argumentos para tirar a legitimidade da monarquia hereditária e do poder real: "Nos primórdios do mundo, de acordo com a cronologia das Escrituras, não existiam reis" [p.17]. "Nas Escrituras, a monarquia á qualificada como um dos pecados dos judeus, pelo qual – anuncia-se – uma maldição lhes está destinada." [p.18].
Este trabalho nos proporcionou conhecer a obra e o pensamento deste autor magnífico, que fez a diferença em sua época e que continua influenciando os pensadores até os dias de hoje. Com toda certeza agregou muito em nosso saber acadêmico. Através deste ciclo de seminários pudemos estar conhecendo também as obras de outros autores que se destacaram no século XVII, como Voltaire, Diderot, Adam Smith, Beccaria e Montesquieu.
|
REFERÊNCIAS
PAINE, Thomas. Senso Comum.Texto integral. Título original: Common Sense. 1776. Trad. Pedro Paulo Martinez.Martin Claret. São Paulo: 2005. 138 p. Col. A Obra Prima de Cada Autor.
|
| Voltar |
|