Meus queridos alunos:
Hoje vocês conquistaram um campo de trabalho privilegiado. Aparentemente confinado, desprestigiado e mal remunerado, é este o nosso campo de ação: a sala de aula. Não é nosso atributo a ação burocrática, os corredores das escolas ou os espaços de disputa de poder. Nós conquistamos a sala de aula, onde somos mestres do conhecimento, da justiça e da ética.
Nosso ofício pode parecer irrelevante, limitado ou mesmo desgastante. Mas é na sala de aula, que conquistamos com nossos estudos e persistência, que a festa se dá. Uma festa de diálogo, de troca de experiências, de aprofundamento do afeto. Cada sala de aula tem sua dinâmica própria, suas contradições específicas, suas alternativas compartilhadas em grupo.
Que vocês utilizem este espaço para a reflexão, o desenvolvimento da consciência crítica, o alargamento do saber.
Pensar e conhecer o mundo em que vivemos é um privilégio que poucos podem deter. E o diálogo com as circunstâncias que nos envolvem pode suscitar alternativas coletivas, que tanto necessitamos neste Brasil.
Que o convívio com seus futuros alunos seja permeado pela tolerância, pela solidariedade, pela equidade. Cabe ao mestre oferecer possibilidades de reflexão autônoma, estimular a fala do “outro”, ouvir experiências diversas. Os novos quadros que pensarão e atuarão neste país devem estar preparados para a adversidade, para as soluções criativas, para a transgressão da “mesmice”, para a liberdade.
Precisamos reinventar cotidianamente nosso campo de trabalho para estarmos conectados com o devir inédito e surpreendente. Precisamos reinventar o mundo para que não sejamos meros reprodutores irrelevantes do conhecido, do improdutivo.
O “banquete” de novidades e instigações deve ser oferecido para que a nossa saborosa ceia, com nossos alunos, seja repleta de alternativas, conquistas, inovações.
Que vocês desfrutem o orgulho de serem mestres, preparando o futuro ao compreenderem o passado. O mestre de História tem o privilégio de poder fazer uma leitura do passado que contribui para novas possibilidades.
Utilizem com dignidade este espaço conquistado, sabendo que é nele que brota a nossa grande chance de atuação. Não permitam que interfiram neste campo de ação que é do mestre e de seus alunos. Aproveitem cada momento para compartilhar suas descobertas, seu conhecimento, suas inquietações, suas dúvidas.
Estamos num tempo em que banalizamos a injustiça, a pobreza, as discriminações. No nosso espaço de trabalho, nunca digam: “Isto é natural!”
Que esta jornada que se inaugura seja coerente com o que acreditam. Neste “corpo a corpo” cotidiano, afirmamos nossas convicções, nossos sonhos, nossas realizações.
Sejam bons mestres! O Brasil precisa de vocês!
Um grande beijo e parabéns!
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